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FESTAS JUNINAS PAULISTAS

Junho chega e, com ele, as tradicionais festas juninas. Em todo o Brasil, essas celebrações ganham formas próprias, moldadas pela história, pelos costumes e pela cultura de cada região. Em São Paulo não é diferente.

As quermesses, os quitutes feitos à base de milho, as quadrilhas, os bailes, a viola caipira, a sanfona e os rastapés fazem parte de uma construção cultural que atravessou gerações e ajudou a formar a identidade do povo paulista.

Durante séculos, essas festas foram mais do que simples momentos de celebração. Foram espaços de encontro, convivência e transmissão de saberes. Nelas estavam presentes não apenas a religiosidade popular, mas também os modos de cantar, dançar, cozinhar, festejar e compreender o mundo de nossos pais, avós, bisavós e tataravós.

Nos últimos anos, porém, temos assistido a um fenômeno preocupante. Não se trata da presença de outras manifestações culturais, que têm seu valor e sua importância no lugar e  no contexto onde foram forjadas. O problema está na ausência crescente das referências que tradicionalmente compunham as festas paulistas.

O problema não é a presença de outras tradições. O problema é a ausência da nossa.

Em muitas festas, a música caipira desapareceu. O Catira deixou de ocupar seu lugar. Os repertórios, danças e práticas que acompanharam gerações de paulistas tornaram-se cada vez mais raros. E, quando uma cultura deixa de ser praticada, ela deixa também de ser conhecida.

O que não é conhecido dificilmente será valorizado. E o que não é valorizado, desaparece.

A história nos ensina que o apagamento cultural nunca foi um processo inocente. Ao longo dos séculos, povos dominados viram seus idiomas, suas crenças, seus costumes e suas tradições serem substituídos ou silenciados. A perda da memória cultural sempre foi uma das formas mais eficazes de enfraquecer a identidade de um povo.

Guardadas as proporções históricas, é preciso refletir sobre o que acontece quando abandonamos espontaneamente aquilo que herdamos. Quando deixamos de transmitir nossas músicas, nossas danças, nossas histórias e nossos saberes, contribuímos para que essa herança se torne cada vez mais distante das novas gerações.

A cultura caipira paulista não é um vestígio do passado. Ela é parte viva da formação de São Paulo. Está na fala, na culinária, na música, na religiosidade, nos festejos e nos modos de vida que ajudaram a construir este território desde os primeiros séculos de sua história.

Preservá-la não significa rejeitar outras culturas. Significa reconhecer o valor daquilo que recebemos de quem veio antes de nós.

Porque um povo que valoriza suas raízes caminha com mais segurança em direção ao futuro.

Portanto, paulista, tome posse do que é seu.

Tome posse do que é seu enquanto ainda houver tempo de ouvir a viola, dançar o Catira, contar os causos, celebrar os festejos e reconhecer nos costumes de seus antepassados uma parte fundamental de sua própria história.

Ruth Rubbo
Junho de 2026

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Tonico e Tinoco (arquivo M. Bonavides)

Ruth Rubbo

Há vinte anos atua em gestão/produção cultural. Filha, neta e bisneta da cultura caipira paulista, sua grande paixão. Violeira, é autora de diversos projetos culturais com foco na defesa e fomento de nossas raízes identitárias.

Membro da Comissão Paulista de Folclore.

Fundadora do Centro de Tradições Caipiras de Atibaia

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